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16 outubro 2014

Assim os elefantes marcham

Assim os elefantes marcham

 Um fato interessante sobre os elefantes é este - para poder sobreviver, eles não podem cair no chão. O outros animais podem deitar-se e levantar-se novamente, mas um elefante permanece sempre em pé, até mesmo para dormir. Se algum membro da manada esbarra e cai, fica indefeso. Permance deitado de lado, prisioneiro do seu próprio peso. Ainda que os outros elefantes fiquem a sua volta e tentem levantá-lo novamente, no momento da aflição, não há muito o que se fazer. Com uma respiração lenta e pesada, o elefante caído morre. Os demais ficam de vigília, mas em seguida, lentamente, seguem em frente.


Isto foi o que eu aprendi com os livros sobre a natureza, mas pergunto se eles estão certos. Não haverá outra razão pela qual os elefantes não possam cair? Quem sabe eles não decidiram assim. Não cair é a sua missão. Sendo o mais sábio e paciente dos animais, fizeram um pacto - eu imagino que tenha sido há muito tempo, quando a era glacial estava terminando.


Movendo-se em grandes manadas em toda a superfície da Terra, os elefantes avistaram pela primeira vez, os pequeninos homens rondando as matas com suas lanças de pedra. "Quanto medo e raiva essas criaturas possuem" - pensaram os elefantes - "Mas eles irão herdar a Terra. e nós somos suficientemente sábios para vermos isso. Vamos mostrar um exemplo a eles."


Em seguida, os elefantes em conjunto,  puseram suas massas cinzentas a ponderar "Que tipo de exemplo eles poderiam ensinar aos homens?" Poderiam mostrar que o seu poder era muito maior que o deles, o que seria certamente verdade. Poderiam mostrar sua raiva perante eles, que era terrível o suficiente, para arrancar florestas inteiras. Ou poderiam dominá-los através do medo, pisoteando seus campos e esmagando suas cabanas. Em momentos de grande frustração, os elefantes selvagens fariam todas essas coisas, porém como um grupo, colocando suas cabeças em conjunto, eles decidiram que  homem aprenderia melhor através de uma mensagem mais gentil.


"Vamos mostrar nosso respeito pela vida" - disseram. E desde esse dia, os elefantes têm sido criaturas silenciosas, pacientes, pacíficas. Eles permitem que os homens os montem, e utilizem-se deles como escravos. Permitem que as crianças riam deles com suas acrobacias no circo, exilados das grandes planíceis africanas, onde uma vez viveram como senhores.


Mas a mensagem mais importante dos elefantes é o seu movimento. Eles sabem que a vida é mover-se. Amanhecer após amanhecer, eras após eras, as manadas marcham, uma grande massa de vida que jamais  cai, uma força irrefreável de paz.


Animais inocentes, eles nem desconfiam que,  depois de todo esse tempo, eles cairão a partir de uma bala dos que são mais numerosos. Ficarão deitados na poeira, mutilados por nossa ganância descarada. Os grandes machos caem primeiro, de maneira que suas presas virem peças de bijouteria barata . Em seguida, caem as fêmeas, para que os homens possam ter seus troféus. Os filhotes correm gritando de horror ao sentir o cheiro do sangue de suas próprias mães, porém não conseguem nada contra as armas. Silenciosamente, sem ninguém para cuidar deles, eles irão morrer também, e todos os seus ossos tornarão-se brancos ao sol.


Em meio a tanta morte, os elefantes poderiam simplesmente desistir. Tudo o que têm a fazer é cair no chão. Isso é o suficiente. Eles não precisam de uma bala: a Natureza de-lhes a dignidade de deitar e encontrar seu descanso. Mas eles se lembram do seu antigo pacto e a promessa que nos fizeram, que é sagrada.


Assim os elefantes marcham, e a cada passo, lançam palavras sobre a areia: "Observe, aprenda, ame. Observe, aprenda, ame." Você consegue ouví-los?


Um dia envergonhado, os espíritos de dez mil senhores das planíceis dirão: "Não os odiamos vocês. Será que ainda não perceberam? Estávamos dispostos a cair, para que vocês, meus queridos pequenos, não caiam nunca mais".

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